Goiás: psicóloga relata pedidos para barrar petistas em empregos
Psicóloga de Goiânia diz que empresários pediram para não contratar petistas. Em nota, ela diferencia valores profissionais de alinhamento
A psicóloga Mara Suassuna, de Goiânia, afirmou ter recebido pedidos de empresários para excluir petistas de processos de contratação após o resultado das eleições presidenciais. Ela publicou o relato nas redes sociais na segunda-feira (26), um dia depois da vitória de Lula (PT).
No vídeo, Mara disse que possui uma empresa de recrutamento e seleção e que clientes solicitaram novos funcionários com a condição de não serem petistas. Entretanto, ao justificar o posicionamento, afirmou que a escolha envolveria valores, e não apenas ideologia política.
Vídeo associa contratação a posicionamento político
Durante a gravação, a psicóloga recorreu à Teoria dos Valores Humanos Básicos, desenvolvida por Shalom H. Schwartz. Segundo sua argumentação, empresas e trabalhadores precisam compartilhar princípios para alcançar resultados.
Além disso, Mara afirmou que pretendia contratar profissionais de direita alinhados à missão e à visão das empresas atendidas. Na mesma manifestação, usou a expressão “laranja podre” ao falar sobre pessoas que considera incompatíveis com esses valores.
O relato, porém, não comprova que alguma empresa tenha efetivamente excluído candidatos por preferência partidária.
FAÇA PARTE DO NOSSO CANAL NO WHATSAPPEm nota, psicóloga diferencia valores e opinião política
Após a manifestação, Mara enviou uma nota na qual afirmou que compartilhar princípios não significa pensar da mesma forma. Segundo ela, o alinhamento organizacional envolve ética, responsabilidade, respeito, integridade e compromisso profissional.
Além disso, a psicóloga declarou que a diversidade de pensamento fortalece as organizações. Na nota, sustentou que diferenças políticas não devem se confundir com incompatibilidade de valores.
Assim, o esclarecimento apresentou uma distinção entre convicções partidárias e comportamento profissional, embora o vídeo mencionasse diretamente a contratação de pessoas de direita.
Profissionais questionam as declarações
Em entrevistas ao g1, outras psicólogas criticaram a associação entre preferência política e seleção profissional. Luísa Jaques Côrtes classificou como problemática a utilização da psicologia para fundamentar esse tipo de posicionamento.
Já Iara Caixeta Moreira questionou a possibilidade de transformar diferenças políticas em julgamentos morais. Além disso, destacou que pessoas com convicções distintas podem compartilhar compromissos profissionais.
Legislação proíbe discriminação no acesso ao emprego
A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que limitem o acesso ou a permanência na relação de trabalho. Além disso, prevê sanções administrativas e restrições de financiamento para infrações às suas disposições. A aplicação dessas medidas depende da análise do caso concreto.
O Código de Ética Profissional do Psicólogo também veda atos de discriminação. Da mesma forma, proíbe induzir convicções políticas, ideológicas ou preconceitos durante o exercício profissional.
Segundo a reportagem do g1, o Conselho Regional de Psicologia de Goiás não havia respondido ao pedido de posicionamento até a atualização do texto. Portanto, as informações apresentadas não indicavam uma conclusão do conselho sobre a conduta de Mara.
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