Motoristas e entregadores de aplicativos ganharam uma nova possibilidade para comprovar renda ao tentar financiar a casa própria. A Caixa Econômica Federal passou a considerar os rendimentos obtidos em plataformas de transporte e entrega durante a análise de crédito habitacional.
A mudança alcança trabalhadores de aplicativos como Uber, 99, iFood, Rappi e Zé Delivery. Dessa forma, profissionais que não possuem carteira assinada ou CNPJ poderão apresentar documentos emitidos pelas próprias plataformas para demonstrar os ganhos mensais.
Até então, a falta de holerite ou de outro comprovante tradicional de renda dificultava o acesso de parte desses trabalhadores ao financiamento imobiliário. Agora, porém, os extratos dos aplicativos poderão entrar na avaliação financeira feita pelo banco.
Como comprovar a renda
Para utilizar os ganhos dos aplicativos, o trabalhador deverá apresentar extratos de recebimentos referentes a quatro meses consecutivos. Além disso, todos os documentos precisam pertencer à mesma plataforma.
Outro requisito envolve a data dos comprovantes. O extrato mais recente deve ter sido emitido, no máximo, dois meses antes da análise de crédito.
No entanto, apresentar os documentos não garante a aprovação do financiamento. A Caixa continuará avaliando a capacidade de pagamento do interessado, bem como a regularidade e a consistência dos rendimentos apresentados.
Além disso, o banco utiliza critérios próprios para definir qual renda mensal poderá considerar na análise do financiamento.
Regra também pode valer para Minha Casa, Minha Vida
A mudança também pode beneficiar motoristas e entregadores interessados no Minha Casa, Minha Vida. Nesse caso, os ganhos obtidos pelos aplicativos poderão ajudar tanto na comprovação da renda quanto na definição do valor disponível para financiamento.
Entretanto, o trabalhador ainda precisará cumprir as demais exigências do programa habitacional. Portanto, reconhecer a renda dos aplicativos não significa aprovação automática no Minha Casa, Minha Vida.
As condições do financiamento também dependem da renda familiar e da faixa em que o interessado se enquadra.
Financiamentos habitacionais avançaram em 2026
A mudança ocorre em um período de crescimento do crédito habitacional. No primeiro semestre de 2026, o Minha Casa, Minha Vida movimentou R$ 79,4 bilhões em financiamentos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
Ao todo, o programa registrou 349 mil unidades contratadas no período. O volume financeiro representa um crescimento de 29% em comparação com o primeiro semestre de 2025.
Entre as diferentes faixas de renda, a faixa 3 apresentou o maior avanço. O volume de financiamentos passou de R$ 19 bilhões para R$ 28 bilhões entre os períodos analisados.
Com a possibilidade de comprovar os ganhos obtidos nos aplicativos, motoristas e entregadores que antes encontravam dificuldades para demonstrar renda passam a ter mais uma alternativa para solicitar crédito imobiliário. A aprovação, contudo, continuará dependendo da análise financeira e das regras aplicadas a cada modalidade de financiamento.
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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