Brasil pode ter bombas nucleares? Entenda o que diz a lei
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva bombas nucleares
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva bombas nucleares como estratégia de defesa e fortalecimento da soberania nacional.
Durante uma sabatina na TV Globo, Renan afirmou que o país deveria discutir o assunto caso pretenda ocupar uma posição de maior influência entre as potências mundiais nas próximas décadas.
“Eu vejo o Brasil como uma das cinco maiores nações do mundo nos próximos 30 anos. E uma nação que será uma das mais importantes do mundo nos próximos 30 anos precisa ter armas nucleares”, declarou.
Entretanto, a proposta encontra obstáculos tanto na Constituição Federal quanto em acordos internacionais dos quais o Brasil faz parte.
Constituição permite uso nuclear apenas para fins pacíficos
Atualmente, o Brasil não pode desenvolver uma bomba atômica dentro das regras estabelecidas pela Constituição.
FAÇA PARTE DO NOSSO CANAL NO WHATSAPPO artigo 21 determina que as atividades nucleares realizadas em território brasileiro devem ter finalidade pacífica e aprovação do Congresso Nacional.
Isso não impede o desenvolvimento de tecnologia nuclear. O país utiliza esse conhecimento em setores como geração de energia, medicina, pesquisa, indústria e defesa.
Um exemplo é o programa da Marinha para desenvolver um submarino com propulsão nuclear. Apesar do uso da tecnologia, o projeto não prevê armamento nuclear.
Portanto, uma eventual iniciativa para produzir bombas atômicas exigiria mudanças no ordenamento jurídico brasileiro.
Renan associa armas nucleares à soberania
Durante a entrevista, Renan argumentou que um arsenal nuclear poderia ampliar a capacidade do Brasil de proteger seus interesses.
“Ter armas nucleares dá uma forma de defender a sua própria soberania”, afirmou.
O candidato também relacionou a proposta à proteção de recursos estratégicos, incluindo as terras raras, e ao aumento do poder de negociação brasileiro diante de países como Estados Unidos e China.
Além disso, Renan citou a Coreia do Norte ao argumentar sobre o impacto que a posse de armas nucleares pode exercer nas relações internacionais.
“Se nós quisermos ser uma nação séria e respeitada, nos próximos 30 anos nós precisamos ter armas nucleares”, declarou.
Brasil também assumiu compromissos internacionais
Além da restrição constitucional, o país participa de tratados internacionais relacionados à não proliferação de armas nucleares.
O Brasil aderiu ao Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e também integra o Tratado de Tlatelolco, que estabeleceu uma zona livre de armas nucleares na América Latina e no Caribe.
Esse último compromisso impede, entre outras medidas, a fabricação, aquisição, teste, armazenamento e posse desse tipo de armamento pelos países participantes.
Dessa forma, uma eventual mudança na política nuclear brasileira não dependeria apenas de alterações internas. O país também precisaria enfrentar os compromissos internacionais assumidos ao longo das últimas décadas.
Durante a sabatina, Renan não defendeu uma saída imediata do TNP. Contudo, afirmou que o Brasil deveria discutir essa possibilidade no futuro caso decida avançar na construção de um arsenal nuclear.
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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