Tratamento oral apresentou aumento de sobrevida em pacientes com doença avançada, mas terá custo elevado no mercado norte-americano
Pacientes com determinados tipos de câncer de pâncreas ganharam uma nova possibilidade de tratamento nos Estados Unidos. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana, autorizou o uso de uma terapia oral voltada a casos específicos da doença em estágio metastático.
A decisão ganhou destaque principalmente pelos resultados apresentados nos estudos clínicos. Além disso, o medicamento oferece uma alternativa em comprimido para pacientes que já passaram por outros tratamentos ou que atendem aos critérios definidos para a terapia.
Estudo aponta aumento da sobrevida
Durante os testes, pesquisadores compararam o desempenho do novo medicamento com o tratamento utilizado no grupo de controle.
Entre os pacientes que receberam a nova terapia, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses. Já no outro grupo, o período ficou em 6,7 meses. Dessa forma, o resultado observado ficou próximo do dobro.
Apesar dos números positivos, a aprovação não significa a descoberta de uma cura para o câncer de pâncreas. Na prática, os dados indicam um aumento do tempo mediano de sobrevida dentro do grupo estudado.
Medicamento atua em proteínas ligadas ao tumor
Outro diferencial está na forma de administração. O paciente utiliza o medicamento por via oral, com dose diária conforme a indicação médica.
Além disso, a terapia atua sobre proteínas da família RAS, que participam de mecanismos relacionados ao crescimento de determinados tumores. Por isso, o tratamento representa uma nova estratégia para pacientes que apresentam características compatíveis com a indicação aprovada.
Ainda assim, nem toda pessoa diagnosticada com câncer de pâncreas poderá utilizar o medicamento. A indicação depende do tipo da doença, do estágio e do histórico de tratamento do paciente.
Tratamento terá custo elevado nos Estados Unidos
O preço também chamou atenção após a aprovação. A previsão é que um mês de tratamento custe cerca de US$ 39,8 mil no mercado norte-americano.
No entanto, esse valor se refere aos Estados Unidos e não permite calcular quanto uma eventual comercialização custaria no Brasil. Preço, registro e disponibilidade seguem processos próprios em cada país.
Aprovação amplia alternativas contra doença agressiva
O câncer de pâncreas representa um desafio para a medicina principalmente pela dificuldade de diagnóstico precoce e pelas opções limitadas em fases avançadas.
Nesse cenário, a nova terapia amplia as possibilidades para um grupo específico de pacientes. Ao mesmo tempo, especialistas ainda precisam acompanhar os resultados do tratamento na prática clínica e seus efeitos ao longo do tempo.
Assim, embora os dados de sobrevida tenham chamado atenção, o medicamento deve ser tratado como uma nova alternativa terapêutica — e não como uma cura para a doença.
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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