Uma mulher está morta e uma bebê está chorando. Você se importa?

Acompanhar os noticiários ultimamente tem sido uma prova de resistência dolorosa. No meio da semana, uma mulher, mãe de uma bebê de apenas cinco meses, foi assassinada de forma brutal por aquele que deveria ser seu companheiro. A filha dessa mulher crescerá sem mãe e provavelmente sem pai. Um crime que revolta, entristece e, acima de tudo, reforça uma realidade cruel: nenhuma de nós está a salvo.

A violência contra a mulher continua acontecendo dentro de casas, dentro de relacionamentos, muitas vezes longe dos olhos da sociedade, até que a tragédia escancara aquilo que já vinha sendo construído no silêncio do medo. E eu tenho medo. Pela minha filha e pelas meninas que vou vendo crescer em um ambiente hostil e cheio de julgamentos.

Há alguns anos, antes mesmo de me tornar vereadora, desenvolvo um trabalho de palestra e escuta nas escolas, associações, postos de saúde, igrejas e faculdades da cidade. O projeto se chama “Mais informação menos agressão sobre violência contra a mulher, respeito e dignidade”.

Todas as vezes chego animada e saio preocupada. Porque sempre há um relato, uma memória e às vezes algumas denúncias que encaminhamos para os órgãos competentes e vamos acompanhando com muita responsabilidade o desenrolar da situação.

Ser mulher é um desafio e para as meninas, que estão se tornando mulheres, é também perigoso. Porque nunca sabemos a quem podemos confiar nossos sonhos e carinho. A violência doméstica não escolhe idade, profissão ou condição social. Todas nós somos, em alguma medida, potenciais alvos de uma cultura que ainda normaliza o controle, a agressão e o desrespeito.

Por isso, combater a violência contra a mulher precisa ser uma causa permanente, e precisa incluir toda a sociedade, homens e mulheres. É preciso denunciar, acolher, proteger e agir antes que seja tarde e sobretudo mudar a cultura da agressão, em todos os níveis. Nenhuma mulher pode viver com medo.

E nenhuma violência pode ser tratada como algo normal. Eu gostaria de que a nossa realidade nos oferecesse dias mais em paz, mas enquanto uma mulher não estiver segura, todas nós teremos motivos para nos preocupar. E acreditem, nossos atos não podem e não são só nas telas. Acolher uma mulher é também um projeto que realizamos sem holofotes e com muita escuta.

Andreia Rezende é presidente da Câmara Municipal de Anápolis e colunista do portal Viva Goiás.

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