Estado também contabiliza 482 casos de transmissão para bebês e uma morte neste ano; testes e tratamento estão disponíveis no SUS
Goiás já registrou 2.613 casos de sífilis em gestantes em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). No mesmo período, o estado contabilizou 482 casos de sífilis congênita, quando a infecção passa da gestante para o bebê, e uma morte.
No total, os registros de sífilis no estado chegam a 7.783 neste ano. Os homens representam cerca de 63% das notificações, enquanto as mulheres correspondem a aproximadamente 37%.
Embora tenha cura, a infecção pode provocar consequências graves quando não recebe diagnóstico e tratamento adequados. Durante a gravidez, os riscos incluem aborto espontâneo, morte fetal, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Taxa de detecção cresceu nos últimos anos
Entre 2021 e julho de 2026, Goiás notificou 17.319 casos de sífilis em gestantes e 2.743 de sífilis congênita, conforme o boletim epidemiológico estadual.
Além disso, a taxa de detecção entre gestantes passou de 27,7 casos por mil nascidos vivos, em 2021, para 43,5 em 2025. Nesse último ano, o estado registrou 3.879 notificações, o maior número do período analisado.
Os dados de 2026, por sua vez, ainda são parciais. Portanto, o total deste ano não representa um balanço anual fechado.
Mulheres de 20 a 34 anos concentram os registros
As gestantes de 20 a 34 anos responderam por 71,9% das notificações entre 2021 e 2026. Já as adolescentes de 15 a 19 anos representaram 20,6%.
O levantamento também identificou 127 casos entre meninas de 10 a 14 anos no período.
Em relação à sífilis congênita, o boletim contabilizou 130 registros de aborto ou natimortalidade e 67 óbitos entre 2021 e 2026. Esses números mostram as consequências da transmissão da infecção durante a gestação.
Tratamento precisa incluir as parcerias sexuais
Um dos desafios apontados pela SES-GO é garantir que a gestante conclua o tratamento e que suas parcerias sexuais também recebam atendimento.
Segundo a coordenadora de Vigilância das ISTs da secretaria, Luciene Tavares, a falta de tratamento das pessoas envolvidas pode levar a novas infecções. Por isso, o acompanhamento deve incluir tanto a gestante quanto suas parcerias.
Além disso, o diagnóstico durante o pré-natal permite iniciar os cuidados necessários para evitar a transmissão ao bebê. A infecção congênita pode causar lesões na pele, alterações no fígado e no baço, surdez e cegueira, entre outras complicações.
SUS oferece testes e tratamento gratuitos
Os testes rápidos para sífilis estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), com resultado em poucos minutos. O tratamento também é gratuito.
A orientação de testagem inclui pessoas sexualmente ativas, especialmente após relações sem preservativo ou diante de sinais suspeitos, como feridas nos órgãos genitais e manchas pelo corpo. Já as gestantes devem seguir o calendário de exames do pré-natal.
Durante o Outubro Verde, municípios e equipes estaduais terão ações de testagem e prevenção. Entre as atividades previstas estão um seminário para profissionais de saúde, em 14 de outubro, e uma ação para trabalhadores da Equiplex, em Aparecida de Goiânia, no dia 29.
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