Bolsa Família sobe para R$ 691; veja datas de pagamento

18/09/2026

Reajuste de 15% também aumenta os adicionais para crianças e gestantes. Medida enfrenta questionamentos na Justiça Eleitoral.

O valor mínimo do Bolsa Família vai passar de R$ 600 para R$ 691, após um reajuste de 15% anunciado pelo governo federal na quinta-feira (17). A mudança está prevista para entrar em vigor nos pagamentos de outubro. Portanto, as famílias não receberão o aumento na parcela de setembro.

Além disso, o benefício médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777, segundo o Ministério do Planejamento. No entanto, o valor depositado não será igual para todos os beneficiários, já que o programa prevê pagamentos adicionais conforme a composição familiar.

Quanto cada família vai receber com o aumento?

O novo piso será de R$ 691 por família. Entretanto, quem tem crianças, adolescentes, gestantes ou bebês de até seis meses poderá receber valores complementares.

Confira os adicionais anunciados:

  • Crianças de até 6 anos: R$ 173 por criança, ante R$ 150.
  • Gestantes: R$ 58, ante R$ 50.
  • Crianças e adolescentes de 7 a 17 anos: R$ 58 por integrante, ante R$ 50.
  • Bebês de até 6 meses: R$ 58, ante R$ 50.

Dessa forma, o pagamento final dependerá das características de cada família e da quantidade de integrantes que se enquadram nas regras dos benefícios complementares.

Quando começa o pagamento de R$ 691?

O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro. Apesar do reajuste, o governo não alterou o calendário regular do programa.

Assim, os depósitos continuarão seguindo o último dígito do Número de Identificação Social (NIS). Em outubro, os pagamentos ocorrerão entre os dias 19 e 30.

Confira o calendário do Bolsa Família em outubro

Final do NISData de pagamento
119 de outubro
220 de outubro
321 de outubro
422 de outubro
523 de outubro
626 de outubro
727 de outubro
828 de outubro
929 de outubro
030 de outubro

Portanto, cada beneficiário deve consultar o número final do NIS para identificar a data prevista para receber a parcela.

Quem tem direito ao Bolsa Família?

A principal exigência para participar do programa é ter renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa.

Para verificar esse limite, a família deve somar a renda de todos os integrantes e dividir o resultado pelo número de moradores. Além disso, os beneficiários precisam cumprir compromissos relacionados à saúde e à educação.

Entre as exigências estão a frequência escolar de crianças e adolescentes, o acompanhamento pré-natal das gestantes e a atualização das carteiras de vacinação.

Em agosto, aproximadamente 19,3 milhões de famílias receberam o benefício.

Por que o Bolsa Família foi reajustado agora?

O valor mínimo de R$ 600 estava em vigor desde março de 2023. Segundo o governo, o aumento anunciado busca recuperar parte do poder de compra perdido nesse período.

O Executivo afirma que a inflação acumulada desde o último reajuste chegou a 17%. Dessa maneira, a correção de 15% foi apresentada como uma medida de recomposição do benefício.

No entanto, o anúncio ocorreu a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026 e provocou questionamentos sobre o momento da decisão. O governo nega que a medida tenha motivação eleitoral.

Aumento do Bolsa Família foi questionado no TSE

O reajuste chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após iniciativas de integrantes da oposição.

Inicialmente, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou uma ação contra a medida. Entretanto, o ministro André Mendonça encerrou o processo sem analisar a legalidade do aumento, por entender que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar aquele tipo de pedido.

Posteriormente, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também acionou o TSE. Ele solicitou a suspensão dos efeitos do reajuste até a posse dos eleitos, sob o argumento de que a medida poderia afetar a igualdade de condições entre os candidatos. A reportagem consultada não informa uma decisão sobre esse segundo pedido.

Por outro lado, a Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta que a legislação permite ao Executivo corrigir os valores do programa. Segundo o órgão, a reposição da inflação, sem ampliação do público atendido, não se enquadra nas proibições eleitorais. A controvérsia jurídica, portanto, envolve as condições e a legalidade da aplicação do reajuste no período eleitoral.

Quanto o reajuste vai custar?

Segundo o Ministério do Planejamento, o aumento terá impacto de R$ 5,8 bilhões entre outubro e dezembro de 2026. Já para 2027 e 2028, a estimativa é de R$ 22,7 bilhões por ano.

Com isso, a previsão de despesas do Bolsa Família em 2027 passará de R$ 157,1 bilhões para aproximadamente R$ 179 bilhões.

O governo afirma que existe espaço fiscal para custear a medida e promete apresentar mais detalhes em um relatório previsto para 24 de setembro. Enquanto isso, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) também pediu a suspensão do reajuste, questionando a indicação de recursos e a estimativa de impacto financeiro.

Para os beneficiários, o ponto principal é que o aumento está previsto para outubro, mas sua implementação ainda enfrenta questionamentos. Até o momento retratado na reportagem, o calendário de pagamentos permanece inalterado.

Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás    

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