Atualmente, a gasolina comum contém 32% de etanol anidro. Antes de qualquer mudança, governo precisará avaliar os resultados dos testes e obter aprovação do CNPE
O governo federal prepara uma nova rodada de testes para avaliar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 32% para 35%. A proposta, conhecida como E35, ainda depende de estudos técnicos e não tem data definida para entrar em vigor.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (18), o Ministério de Minas e Energia (MME) aguarda a publicação do plano que estabelecerá os procedimentos dos testes. A expectativa é que o documento saia no Diário Oficial da União na próxima semana.
Entretanto, o início dos ensaios não significa que os postos passarão a vender gasolina com 35% de etanol. Antes disso, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) precisará analisar os resultados e aprovar uma eventual mudança.
Gasolina já passou a ter 32% de etanol em agosto
Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a comum aditivada comercializadas no Brasil contêm 32% de etanol anidro. Anteriormente, o percentual obrigatório era de 30%.
A resolução do CNPE estabeleceu um prazo inicial de 180 dias para a mistura E32. Além disso, o conselho poderá prorrogar a medida uma única vez pelo mesmo período.
Por outro lado, a gasolina premium continua com 25% de etanol anidro. Portanto, a mudança aplicada à gasolina comum não alterou a composição dessa categoria.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento para 32% pode reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina. Dessa forma, o governo pretende ampliar o uso do etanol produzido no Brasil e diminuir a dependência do combustível importado.
O que falta para a gasolina chegar a 35% de etanol?
A Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, permite elevar a participação do etanol anidro na gasolina até 35%. No entanto, a legislação exige comprovação da viabilidade técnica antes da adoção de uma mistura maior.
Por isso, os testes deverão avaliar os efeitos do E35 sobre o funcionamento dos veículos e outros parâmetros técnicos. Entre os aspectos analisados em estudos anteriores estão partida a frio, emissões de poluentes, estabilidade do combustível, diagnóstico eletrônico e desempenho dos automóveis.
O Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro aprovou o cronograma dos ensaios em 11 de setembro. Agora, o governo prepara a publicação das regras que orientarão a avaliação.
Depois da conclusão dos testes, os resultados deverão subsidiar uma possível decisão do CNPE. Assim, a adoção do E35 dependerá tanto da comprovação técnica quanto de uma nova aprovação do conselho.
Por que o governo quer aumentar a mistura de etanol?
O Ministério de Minas e Energia pretende ampliar a participação dos biocombustíveis e reduzir a dependência brasileira de derivados de petróleo importados.
Além disso, o governo considera o aumento da mistura uma medida para diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de combustíveis.
Como o Brasil produz etanol em larga escala, uma participação maior do biocombustível pode reduzir a quantidade de gasolina de origem fóssil necessária para atender ao consumo nacional.
Entretanto, o governo ainda precisa demonstrar que a nova proporção atende aos requisitos técnicos. Portanto, não há confirmação de que a mistura chegará a 35%.
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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