O advogado e turismólogo Tiago Pitthan, de 46 anos, transformou uma despedida que normalmente seria marcada pela tristeza em uma grande celebração da vida. Morador de Campo Grande (MS), ele organizou o próprio velório enquanto enfrenta um câncer sem possibilidade de cura e reuniu centenas de amigos, familiares e admiradores para um encontro repleto de música, abraços e homenagens.
Inicialmente, a expectativa era receber cerca de 100 convidados. No entanto, a repercussão da iniciativa fez com que o evento crescesse e ocupasse toda uma rua do bairro Seminário. Segundo os organizadores, aproximadamente 400 pessoas participaram da celebração.
Festa substituiu o clima tradicional de velório
Em vez de caixão, velas e silêncio, os convidados encontraram uma programação musical diversificada. A festa começou com apresentações de bossa nova e MPB. Em seguida, uma roda de samba tomou conta do espaço. Além disso, artistas de maracatu, DJs e bandas de rock animaram o público ao longo da noite.
Enquanto isso, Tiago circulava entre os presentes, conversava com amigos, tirava fotos e participava de todos os momentos da comemoração.
Discurso emocionou os convidados
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Tiago subiu ao palco para falar com o público.
Durante o discurso, ele agradeceu o carinho recebido e compartilhou reflexões sobre a doença. Além disso, destacou que o encontro não tinha como objetivo lamentar a morte, mas celebrar a vida e os momentos construídos ao longo dos anos.
“Sou um cara privilegiado, tenho afeto, tenho carinho. E quando eu morrer, quero que vocês entendam que eu venci o câncer. Venço todos os dias quando acordo e decido que hoje vai ser um dia bom”, declarou.
Ideia surgiu após a morte do pai
Segundo Tiago, a morte do pai, Alan Pitthan, em 2024, inspirou a realização do próprio velório em vida.
Na ocasião, ele percebeu que familiares e amigos compartilhavam histórias e homenagens quando a pessoa já não podia mais ouvi-las. A partir dessa reflexão, começou a imaginar uma forma diferente de reunir pessoas importantes enquanto ainda pudesse participar da celebração.
Meses depois, com o avanço da doença, decidiu transformar a ideia em realidade.
Família abraçou a iniciativa
Embora tenha demonstrado resistência no início, a família decidiu apoiar o projeto.
A mãe de Tiago, Mabel Martins Pitthan, de 78 anos, participou da celebração e também discursou no palco. Emocionada, ela contou que sentiu dor ao participar do velório do próprio filho, mas ressaltou a admiração pela forma como ele enfrenta a doença.
Logo depois, bandas formadas por amigos deram continuidade à programação musical.
Entrevista
Antes da celebração, Tiago concedeu entrevista à Folha de S.Paulo, onde explicou os motivos que o levaram a organizar o encontro.
Segundo ele, o objetivo nunca foi colocar o câncer como protagonista da história. Pelo contrário, ele quis destacar a vida, os afetos e os encontros construídos ao longo dos anos.
“Não quero que ninguém respeite o câncer. Quero que façam piada, quero que a gente deboche dele”, afirmou ao jornal.
Celebração reuniu amigos e familiares
Amigos, músicos e apoiadores ajudaram voluntariamente na organização do evento e garantiram a estrutura necessária para receber centenas de convidados.
Além disso, uma coroa de flores com a frase “Uma homenagem ao bom sujeito” chamou a atenção dos presentes. O apelido faz referência ao amor de Tiago pelo samba e à facilidade que sempre teve para reunir pessoas e criar amizades.
Enquanto enfrenta a doença, ele continua repetindo uma frase que resume sua forma de encarar a vida:
“Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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