Método Wolbachia prevê mais de 5 mil dispositivos em 45 bairros; bactéria reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus
Baldes verdes com ovos de Aedes aegypti fazem parte de uma estratégia de combate à dengue em Anápolis. A instalação dos recipientes ganhou reforço nesta terça-feira (13), com previsão de alcançar mais de 5 mil pontos nas próximas três semanas.
Os dispositivos integram o método Wolbachia, desenvolvido para reduzir a capacidade dos mosquitos de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya. Portanto, a proposta é introduzir na população local mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia, em complemento às demais ações de prevenção.
O que é o método Wolbachia?
O método utiliza Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que dificulta a transmissão desses vírus. Em Anápolis, a implantação ocorre por meio de recipientes com ovos desses mosquitos.
Dentro dos dispositivos, os ovos eclodem e os insetos passam pelas etapas de desenvolvimento até a fase adulta. Assim, não há soltura direta de mosquitos adultos pelas ruas nessa etapa da implantação.
Posteriormente, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com os que já vivem na região. A bactéria passa às novas gerações, contribuindo para diminuir a capacidade de transmissão das doenças.
Entretanto, a estratégia não elimina a necessidade de combater os criadouros. Visitas domiciliares, retirada de água parada e monitoramento continuam fazendo parte da prevenção.
Por que instalar recipientes com ovos de mosquito?
Embora possa parecer contraditório usar ovos de Aedes aegypti no combate à dengue, os dispositivos têm uma finalidade específica: permitir o desenvolvimento dos mosquitos com Wolbachia nos locais escolhidos.
Por isso, os baldes integram uma ação planejada e acompanhada pelas equipes de saúde. Eles não devem ser confundidos com recipientes abandonados que acumulam água e favorecem a reprodução de mosquitos sem controle.
A implantação ocorre em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além dos 60 agentes de endemias, equipes do Corpo de Bombeiros e do Programa Linha de Frente apoiam as instalações.
Quais bairros receberão os dispositivos?
A programação contempla 45 bairros de Anápolis. Segundo o gerente epidemiológico Rafael Teixeira, a escolha considerou o histórico dos últimos 12 anos, com prioridade para regiões que acumularam os maiores índices das doenças.
Entre os bairros citados estão Centro, Vila Jaiara, Jardim Alexandrina e Filostro Machado. Ao todo, os agentes mapearam mais de 5 mil pontos para receber os recipientes.
Quando os resultados podem aparecer?
A Vigilância em Saúde espera redução nas notificações de dengue, zika e chikungunya a partir de 2027. Entretanto, essa é uma expectativa da equipe, e o acompanhamento dos casos permitirá avaliar os resultados no município.
Para colaborar, os moradores devem preservar os dispositivos instalados. Caso identifiquem danos nos recipientes, a orientação é comunicar o problema pelo telefone 156.
Além disso, a população deve continuar eliminando água parada nos demais objetos e espaços das residências, pois o método funciona como uma medida complementar de prevenção.
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