Longos períodos sem ereções podem, em situações específicas, afetar a elasticidade dos tecidos e a função erétil; especialistas explicam quando a falta de atividade sexual pode representar um problema
Passar meses sem relações sexuais não costuma provocar mudanças significativas no tamanho do pênis. No entanto, em situações específicas e pouco frequentes, a redução prolongada das ereções pode estar associada a alterações nos tecidos do órgão, comprometendo sua elasticidade, firmeza e, em alguns casos, suas dimensões.
A chamada atrofia peniana está relacionada principalmente à redução persistente do fluxo sanguíneo e do estímulo vascular necessário para manter a saúde dos tecidos. Ainda assim, é importante destacar que a condição é considerada incomum e não significa que todo homem que passa um período sem fazer sexo terá redução do órgão.
Por que as ereções são importantes?
De acordo com o biomédico e sexólogo Vitor Mello, as ereções regulares contribuem para a oxigenação dos tecidos do pênis. Durante a ereção, o aumento do fluxo sanguíneo leva oxigênio e nutrientes para a região.
Quando esse estímulo diminui de maneira prolongada, o tecido pode sofrer alterações. Segundo o especialista, em determinados casos, parte da musculatura lisa pode ser substituída por colágeno, que apresenta menor elasticidade.
Como resultado, o tecido pode perder parte da capacidade de se expandir durante a ereção. Assim, além de alterações na firmeza, também pode ocorrer redução do comprimento ou do calibre do órgão em situações específicas.
Existe um tempo determinado sem sexo para isso acontecer?
Não existe um período exato de abstinência que determine quando essas alterações vão surgir. Segundo Mello, entretanto, períodos prolongados sem ereções frequentes podem diminuir o estímulo vascular da região.
Meses sem atividade sexual, por exemplo, podem representar uma redução importante desse estímulo em homens que também apresentam outros fatores de risco. Porém, o tempo sem relações, isoladamente, não permite prever se haverá alguma alteração.
Além disso, a ausência de sexo não significa necessariamente ausência de ereções. Ereções espontâneas e a masturbação também proporcionam aumento do fluxo sanguíneo no pênis.
Masturbação ajuda a preservar a saúde do pênis?
Sim. O estímulo sexual não precisa ocorrer necessariamente durante uma relação com outra pessoa.
A masturbação também provoca uma ereção e, consequentemente, aumenta temporariamente a circulação sanguínea no órgão. Dessa forma, ela pode contribuir para a manutenção da função erétil.
Por isso, a questão está mais relacionada à presença ou ausência de ereções do que simplesmente à frequência das relações sexuais.
Outros fatores podem ter influência maior
Embora a falta prolongada de ereções possa estar associada a alterações no tecido peniano em situações específicas, outros fatores costumam exercer influência importante sobre a função sexual masculina.
Idade, doenças cardiovasculares, diabetes, alterações hormonais, obesidade, tabagismo e alguns medicamentos, por exemplo, podem interferir na circulação e na capacidade de manter uma ereção.
Além disso, condições que provocam disfunção erétil persistente podem fazer com que o pênis passe longos períodos sem receber o estímulo vascular normalmente associado às ereções.
Por isso, atribuir uma eventual redução do tamanho exclusivamente ao tempo sem sexo pode levar a uma interpretação equivocada.
Quando é importante procurar um médico?
Alterações persistentes na ereção, dor, curvatura recente ou mudança significativa no tamanho ou formato do pênis merecem avaliação médica.
Nesses casos, um urologista pode investigar a circulação sanguínea, os níveis hormonais e possíveis doenças ou condições que estejam afetando a função sexual.
Portanto, ficar alguns meses sem relações sexuais não significa, por si só, que o pênis irá diminuir. Na maioria dos homens, períodos de abstinência não provocam uma redução permanente do órgão. Quando aparecem mudanças importantes, é necessário considerar o conjunto de fatores que podem estar afetando a saúde peniana.
Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás
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