2 hábitos comuns são os principais causadores de câncer

10/08/2026

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Tabagismo e consumo de álcool estão entre os principais fatores modificáveis associados à doença; estudo analisou 18,7 milhões de diagnósticos em 185 países

Mais de um terço dos casos de câncer registrados no mundo está relacionado a fatores que podem ser modificados. É o que aponta uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada na revista científica Nature Medicine.

O estudo avaliou 36 tipos de câncer em 185 países. Ao todo, os pesquisadores analisaram 18,7 milhões de casos diagnosticados em 2022 e identificaram cerca de 7 milhões de registros associados a fatores de risco modificáveis.

Dessa forma, os resultados reforçam a importância da prevenção no combate à doença. Segundo a análise, mudanças de hábitos, aliadas a políticas públicas, podem contribuir para reduzir o número de novos casos nas próximas décadas.

Tabagismo lidera os fatores de risco

Entre os fatores analisados, o tabagismo apresentou o maior impacto. Em 2022, o consumo de produtos derivados do tabaco esteve relacionado a aproximadamente 15% de todos os novos casos de câncer registrados no mundo.

Entre os homens, entretanto, a proporção foi ainda maior. Quase um em cada quatro diagnósticos apresentou relação com o uso do tabaco.

O cigarro aumenta principalmente o risco de câncer de pulmão. Além disso, o hábito também está associado a tumores na boca, garganta, esôfago, bexiga e pâncreas, entre outras regiões do corpo.

Por isso, medidas de controle do tabaco continuam entre as principais estratégias de prevenção. Nesse contexto, campanhas de conscientização, aumento de impostos sobre produtos derivados do tabaco e programas de apoio para quem deseja parar de fumar podem contribuir para reduzir a exposição ao fator de risco.

Álcool aparece entre os principais fatores modificáveis

Logo depois do tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas aparece entre os fatores mais associados aos casos de câncer.

De acordo com o levantamento, o álcool esteve relacionado a aproximadamente 3,2% dos novos diagnósticos registrados em 2022. Isso corresponde a cerca de 700 mil casos em apenas um ano.

Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas está associado a diferentes tipos de tumores, incluindo câncer de fígado, mama, intestino e esôfago.

Segundo a OMS, não existe um nível de consumo de álcool completamente livre de risco para o desenvolvimento de câncer. Portanto, reduzir a ingestão pode diminuir a exposição a esse fator e, consequentemente, contribuir para a prevenção.

Poluição do ar também influencia o risco

Os fatores associados ao câncer, porém, não se restringem aos hábitos individuais. As condições ambientais também podem interferir no risco de desenvolvimento da doença.

A poluição do ar, por exemplo, apresenta uma relação importante com o câncer de pulmão. No entanto, o impacto varia de acordo com a região e com o nível de exposição da população.

No Leste Asiático, aproximadamente 15% dos casos de câncer de pulmão entre mulheres tiveram relação com a poluição do ar. Já entre os homens do Norte da África e do Oeste da Ásia, esse percentual chegou a cerca de 20%.

Assim, os dados mostram que medidas voltadas à qualidade do ar também fazem parte das estratégias de prevenção do câncer.

Infecções respondem por parte dos diagnósticos

Além do tabagismo, do álcool e dos fatores ambientais, algumas infecções também podem aumentar o risco de determinados tipos de câncer.

De acordo com o levantamento da OMS, as infecções estiveram relacionadas a aproximadamente 10% dos novos casos registrados no mundo.

Entre as mulheres, o papilomavírus humano (HPV) merece destaque. O vírus está diretamente associado ao câncer do colo do útero e, por isso, a vacinação representa uma das principais formas de prevenção.

Além disso, o rastreamento regular permite identificar alterações antes que a doença avance. Dessa maneira, ampliar o acesso à vacinação e aos exames pode contribuir para reduzir os casos relacionados ao HPV.

Prevenção pode reduzir número de casos

Diante dos resultados, a análise reforça a importância de combinar mudanças de hábitos com ações de saúde pública.

Por um lado, reduzir o tabagismo e o consumo de álcool pode diminuir a exposição a dois dos principais fatores modificáveis associados ao câncer. Por outro, medidas ambientais e estratégias de vacinação também podem ajudar a evitar determinados tipos da doença.

Ao mesmo tempo, a prevenção não substitui o acompanhamento médico. Exames de rastreamento, quando indicados, ajudam a identificar alterações precocemente e podem ampliar as possibilidades de tratamento.

Portanto, reduzir fatores de risco, manter hábitos saudáveis e seguir as recomendações de prevenção são medidas que podem contribuir para diminuir o impacto do câncer na população.

Fonte: Janayna Carvalho – Jornalista Viva Goiás    

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