Falar sobre Neymar na Seleção Brasileira sempre gera debate — e não é à toa. Trata-se de um dos jogadores mais talentosos da história recente do país. No entanto, talento, sozinho, não ganha Copa do Mundo. E é justamente por isso que, hoje, eu não levaria Neymar.
Não se trata de negar sua qualidade técnica. O camisa 10 continua sendo decisivo quando entra em campo. O problema, porém, está exatamente nisso: a falta de presença constante. Nos últimos anos, lesões frequentes e longos períodos de ausência comprometeram sua regularidade — e Copa do Mundo não permite aposta, exige certeza.
Além disso, existe um ponto que vai além da questão física: o protagonismo. Durante mais de uma década, o Brasil construiu seu jogo em torno de Neymar. Ainda assim, nas Copas de 2014, 2018 e 2022, a Seleção não conseguiu transformar esse protagonismo em título. Em momentos decisivos, o desempenho coletivo ficou abaixo do esperado, culpa somente dele? Claro que não.
Enquanto isso, uma nova geração ganha espaço. Jogadores mais intensos, com maior disponibilidade física e em melhor fase nos clubes pedem passagem. O futebol atual exige ritmo, consistência e comprometimento coletivo — características que, neste momento, precisam pesar mais do que nome ou histórico. E é nesse contexto que surge a questão mais sensível: liderança.
Ao longo dos anos, Neymar não se consolidou como o líder que o Brasil esperava. Não por falta de talento, mas pela inconsistência dentro e fora de campo. A Seleção precisa de um atleta capaz de sustentar o grupo nos momentos de pressão — e não apenas de alguém que resolva jogadas pontuais.
Levá-lo para a Copa nessas condições significaria repetir um roteiro já conhecido: alta expectativa, dependência excessiva e, ao final, frustração.
Portanto, a discussão não passa por desrespeitar a história, mas por entender o momento atual.
Hoje, a Seleção Brasileira precisa olhar para frente. Precisa de jogadores que entreguem sequência, intensidade e presença constante. Neymar pode, sim, fazer parte desse grupo — mas não como peça central, nem como escolha automática. Por isso, se a decisão fosse minha, eu seria direta: Neymar não estaria na lista para a próxima Copa do Mundo. Porque Copa não se joga com passado. Se joga com quem está pronto agora.
Janayna Carvalho é jornalista do portal Viva Goiás



